sábado, 4 de abril de 2009

amigo, me compra um pai

Sempre quis escrever um livro.

Na vera, escrevi quatro, ilustrados, contando a história de um gato aqui de casa. A história que imaginei, claro, não a simples vida do gato. Os quatro volumes foram datilografados (passado...) quando eu tinha oito anos. Chegaram a ser lidos pela minha saudosíssima avó. E depois foram queimados pela minha mãe, juntos com um milhão de desenhos meus.

As histórias continuaram pipocando na minha cabeça e depois de muitos anos um outro livro veio prontinho – mas ainda não passei para o papel. Na verdade, são dois livros. Queira Deus que eu tome vergonha na fuça e comece logo a escrever.

Isso tudo pra dizer que maior que o medo de escrever um livro medíocre e ridículo (e as chances são grandes) é o medo de ler o livro assinado por outro autor. Isso já aconteceu – e, vou te contar, doeu.

Depois dos quatro volumes contando a saga de Tom Sawyer (hehehe, veja que merda: o nome do gato era Tom – por motivos óbvios); daí, lembrando de um desenho que eu tinha assistido no "Clube da Criança", completei com o sobrenome Sawyer – obviamente, só anos mais tarde fui ouvir falar de Mark Twain. Anyways, depois dos livros que eu tinha escrito e que tinham sido torrados, eu fiquei uns seis anos com outro livro na cabeça. E qual não foi meu desespero completo quando li "Pai, me compra um amigo", de Pedro Bloch, e vi que era a história que eu ia contar, com pouquíssima, pouquíssima diferença (detalhe pro nome do protagonista): Chorei com gosto, de muita raiva.

A literatura e os livros que não escrevi ainda não são o assunto deste post, escrito numa noite de sábado, no escuro gostoso do quarto, na véspera de uma muito, muito aguardada noite de sono. Eu tive vontade de escrever pra falar da falta que faz todos os dias da minha vida não ter tido quem visse que eu vim ao mundo. Muitas vezes eu penso que os casais deveriam fazer testes (e serem aprovados) antes de se tornarem pais. Porque tem gente que não tem talento pra coisa – daí, soltam por aí as Gabrielas, criaturas criadas por gente que pouco se importa em batizá-las e em nomeá-las. E a vida das Gabrielas não é fácil.

Não adianta ser independente desde os cinco anos de idade. Porque, no fim das contas, carrega-se pra vida inteira um sentimento de que faltou alguma coisa – uma atenção, um conselho, um abraço, não sei, alguma coisa. E essa sensação passa pra quem convive com seres Gabrielas, todo mundo sempre acha que falta alguma coisa nessas pessoas.

Post doido, né? Pelo menos ajuda a pensar que é melhor deixar os livros só na cabeça mesmo, nem que seja só pra evitar mais um fracasso.

Não dá pra voltar no tempo. Graças a Deus. Mas se desse pra voltar, eu ia pedir pra voltar uns 33 anos. E ia pedir pra alguém ter dor de cabeça numa certa noite de inverno. Teria evitado muita dor de cabeça – pra mim e pra eles.


P.S.: OK, mais uma pra coleção de músicas que eu sempre cantei errado sem saber – é "pouco ME importou", sempre achei, como o post demonstra, que era "pouco SE importou". Whatever.
P.S.2: Como se vê, eu continuo não atinando em nada.
?

5 comentários:

Lê disse...

não concordo.
merecemos ler um livro teu e vc mais que merece receber todos os elogios.
beijo, beijo.
luv u way 2 much!

Caroline disse...

Amigo,
Sei muito bem o que está sentindo, mas não fica assim não.

Abs.

Fernando disse...

É... eu meio que viajei nesse post... mas se tem a idéia de um livro, "vomite-a" logo!!! queremos lê-la
:)

Sarah disse...

Amei a história dos livrinhso sobre gatos, Tom Sawyer!

Sobre o fator Gabriela, concordo plenamente sobre o fato da falta de talento de algumas pessoas.

Tanto que é possível ser uma Gabriela nomeada e batizada por gente que finge que se importa em nomear e batizar.

Não se sabe qual Gabi sofre mais mas uma coisa é certa, ambas sofrem e ambas passam tempos achando que falta algo em algum lugar.

Até descobrirem que não falta nada, que tudo está dentro de delas, que são maravilhosas, perfeitas e completas, possuem até algo mais que a maioria, são mais sensíveis mas também mais fortes.

Homem, Homossexual e Pai disse...

nossa, quando terminei de ler foi que percebi que era um post de 2009! espero que o seu livro tenha saido do papel, antes que alguem tenha a mesma inspiração cosmica ... eu nunca fui genial a este ponto, mas nao tenho duvidas que acontece! abs

e sim! eu canto muitas musicas errado!